Dentro da minha escuridão eu encontrei com a tua.
Estava lá, só. Olhando pra mim mesma, finalmente. Olhava pra mim, só pra mim. Olhava no fundo da minha alma, no âmago do meu ser. Via finalmente, minha profundidade. Conseguia quase tocar o fundo da minha tristeza, o fundo do meu poço. Meus dedos roçavam na pedra fria que era meu coração.
Mas aí, você apareceu.
Com teus problemas, com tuas questões. Com teu fundo de poço, próprio e único. Com teu vazio, com tua melancolia também. E logo que te conheci, afastei. Tive medo da minha escuridão se fundir com a tua e nos engolir.
Foi o que aconteceu.
Não que isso necessariamente tenha sido ruim. Aos poucos nossas escuridões foram se tocando, se conhecendo, se fundindo. Se entendendo. Se completando. Ora se curavam, ora se afundavam. Ora pioraram, ora tinham calmaria.
E você continuava ali pra me segurar caso eu caísse lá.
Você continuava me dando a mão. Continuava me dando apoio, mesmo tripudiando, mesmo instável, mesmo mancando. E eu continuava te dando apoio. Mesmo doendo, mesmo sendo difícil, mesmo sendo insuportável.
Porquê no fundo daquele poço, no fundo daqueles corações de pedra gelada… havia amor. Havia carinho. Havia cuidado. Havia teu sexo.
Haviam duas almas, dois seres, ansiando por ver a luz, por ver a luz juntos. E eles não deveriam, não conseguiriam, não poderiam deixar o outro naquela escuridão que haviam se conhecido.
Cada dia mais, cada dia um pouco mais… Rumavam para luz.